Cibele, mãe da Pietra

Começo dizendo que eu não estava nada preparada para uma cesárea. Desde antes de decidir ser mãe, me preparei para o momento do nascimento do meu bebê. Mudei de ginecologista para um que fosse obstetra, pois já queria um vínculo com o médico que um dia traria meu filho ao mundo.

Quando soube que estava grávida, fiz tudo que Dr. Alexandre me recomendou: continuei com minhas atividades físicas, comecei pilates para ajudar no momento do parto, me alimentei bem e engordei “apenas” 10 kilos, fiz sessões em casa com a Jessica para aprender as massagens, como contar as contrações, como respirar e treinei no Epi-no… enfim, eu estava realmente preparada para o meu tão sonhado parto normal.

Quando estava de 38 semanas, participei de uma palestra para futuros papais da clínica Gesta Itaim e achei tudo incrível! Alí vislumbrei como minha filha chegaria ao mundo e meu marido percebeu qual a real importância do pai nesse momento. Também entendi que não importava se eu aguentasse tudo sem anestesia ou com um pouco de analgesia, que aquela seria a maneira que minha filha nasceria.

Quando faltava 1 dia para completar 40 semanas, fiz um ultrassom e o líquido amniótico estava muito baixo, bem abaixo do limite mínimo. Meu médico, Dr. Alexandre, nos chamou para conversar e disse que uma alteração se apresentava no exame, assim nos fez um alerta e deveríamos pensar sobre o assunto, mas que havia um sinal de alerta para a bebê e, que devido as minhas circunstâncias, o mais seguro poderia ser uma cesárea visto o tempo de gestação.

Fiquei sem chão nessa hora.

Eu sempre disse que não importava como ela nascesse, desde que tudo corresse bem para nós duas… mas não era bem assim. No fundo, minha aceitação por uma cesárea era em caso de iniciar o trabalho de parto e algo não desse certo, que partiríamos para uma cesárea. Na minha consciência estaria um honrado “eu tentei de tudo”.

Marcamos a cesárea para o dia seguinte, quando eu completava exatas 40 semanas. Dr. Alexandre nos deu um tempo para digerir toda a nova informação.

Chegamos bem cedo no hospital, as 7h, refiz os exames de ultrassom e cardiotoco e tudo na mesma… então, dei entrada na minha internação e minha filha nasceria naquele mesmo dia, dali algumas horas.

Quando fui chamada para iniciar os preparos para a cesárea a ficha começou a cair… ficamos nervosos, meu marido mais do que eu (rs), eu não estava preparada para aquele momento.

Quando entrei na sala de cirurgia, lá estavam os 3 médicos que haviam dado a palestra para os pais há 2 semanas atrás: meu médico, Dr. Alexandre, seu auxiliar, Dr. Carlos e o anestesista, Dr. Bruno, além de 2 enfermeiras.

Fui acompanhada pelos médicos o tempo todo, que me explicavam tudo o que ía acontecer à medida que íam fazendo.

Dr. Alexandre se sentou na maca e me ofereceu o ombro para que eu debruçasse para tomar a anestesia. Ele viu que eu estava muito nervosa nesse momento e, realmente, me ajudou. Joguei todo meu peso nele e o apertei, o que facilitou para que o Dr. Bruno encontrasse o ponto certo.

Depois de tudo pronto comigo, meu marido entrou na sala para começarmos.

Nesse momento Dr. Alexandre pediu que apagassem as luzes da sala (ficando apenas as luzes cirúrgicas em mim) e perguntou o que eu queria ouvir, e eu nem havia pensado sobre isso nesse momento! Então eu disse “Rock, porque estou nervosa”, ele riu e me sugeriu Bossa Nova para a bebê nascer em um ambiente calmo e tranquilo. Achei engraçado, mas aceitei.

Havia lido e me informado muito sobre todos os preparativos para um parto normal, mas nunca me preparei para uma cesárea… não tinha idéia que tinha música também!

Começamos a cirurgia, tudo correndo super bem e os médicos conversando e perguntando se eu estava bem o tempo todo.

No momento de tirar a Pietra (esse é o nome da minha bebê) da barriga, Dr. Carlos afastou as luzes cirúrgicas para que ela não ficasse “cega”.

Assim que foi retirada da barriga, Dr. Alexandre colocou ela no meu peito, ainda de cordão umbilical sem cortar e ela já foi procurando o bico do seio para mamar.

Ele então voltou para a cirurgia, reposicionou as luzes e aí sim, fez o corte (longo) do cordão umbilical, enquanto Pietra mamava (ou tentava) no meu peito… nós duas aprendendo como aquilo funcionava. Depois de um tempo, a pediatra veio e levou a Pietra para os primeiros exames, e foi então que meu marido cortou o cordão na altura que ficam nos bebês.

Pietra voltou para meu colo e saímos juntas da sala, para a área de observação pós-cirurgica. Ali veio a primeira enfermeira me ensinar como eu deveria fazer para a “pega” correta e assim, ela não me machucar. Ficamos ali juntas, por 2 horas, apenas nós duas, Pietra toda suja do parto, nos conhecendo melhor. Quando olhei ao redor, vi que eram bem poucas as mães que estavam com seus bebês no colo, como eu.

Passado tudo, fui entender melhor a “cesárea humanizada”, que foi a minha, e fiquei muito emocionada em como minha filha chegou ao mundo.

A preocupação da equipe, a música, a sala sem luz acesa, ela ter vindo para o peito no primeiro minuto de vida e ter ficado comigo, colada no meu corpo, nas primeiras horas de vida, foram pontos importantes para garantir a calma e a tranquilidade da minha filha e também para estimular minha produção de leite (li que a amamentação na primeira hora de vida estimula a descida do leite mais rápido).

Me culpei muito por não ter conseguido um parto normal. Mas, passado um tempo, aceitei, entendi e até tenho orgulho do meu parto. Não sou menos mãe porque tive um parto cesárea. Não passei por um trabalho de parto, mas a cesárea é uma cirurgia, e como toda cirurgia, tem riscos.

Minha recuperação foi excelente, 15 dias após o nascimento, eu já havia perdido os 10 kilos da gravidez e nunca senti dor no corte, ou qualquer dor.

Achei importante contar meu relato, para que futuras mamães convictas em ter um parto normal saibam que o mais importante de tudo é ter nossos pequenos nos nossos braços. Sem julgamentos, sem culpa, sem certo ou errado. Sou Cibele, mãe da Pietra, uma bebê linda, saudável, acima da média de crescimento e super risonha.

Comentários