Laura Marto

"Gestação sonhada, expectativas lá no alto. Tudo ruiu. Mas renasceu! Eu e meu marido sempre fomos muito planejados e, como esperado, tomamos todos os cuidados com a gravidez: fui na minha antiga obstetra para colher exames e iniciar o uso de vitaminas e ácido fólico antes de começarmos as tentativas, fizemos uma "última viagem" só nossa, começamos a organizar as finanças, a pensar como seria nossa nova vida. Chegou, então, o tão esperado dia. Teste positivo! Os primeiros meses passaram normalmente num mix de felicidade, ansiedade, enjoos, cansaço... Na primeira USG morfológica recebemos ótimas notícias, tudo normal. Já na segunda, com 19 semanas, logo depois de sabermos que teríamos uma menina, a Liz, recebemos o maior soco no estômago do nossas vidas: nossa bebê tinha uma malformação chamada mielomeningocele. Depois das breves explicações do ultrassonografista do que aquilo significava e um não muito feliz comentário de que "na Europa eles permitem aborto de casos assim, aqui não", eu e meu marido choramos. Muito. Por medo, por ter uma expectativa quebradíssima, por pensar que nossa filha poderia sofrer, por imaginar que pessoas não levavam a gestação adiante (coisa que pessoalmente nunca faríamos), e por tantas outras razões que não sabíamos nem descrever. Para nossa surpresa, o choro inconsolável cessou mais rápido do que imaginamos quando fomos encaminhados para um especialista, cirurgião fetal que, além de nos explicar com mais detalhes o caso da Liz, nos apresentou a cirurgia a céu aberto. Como leigos, nunca tínhamos sequer imaginado que isso existia: fariam a correção da malformação da pequena ainda dentro do meu útero, antes de ela nascer, o que diminuiria muito a probabilidade de sequelas graves. Não pensamos duas vezes! Deus encheu nosso coração de confiança e calma e fizemos a cirurgia com 20 semanas. Foi um sucesso! (Seremos eternamente gratos à querida equipe que cuidou e ainda cuida de nós.) Logo depois da cirurgia, a indicação era continuar o acompanhamento com o obstetra... Foi aí que o Dr. Alexandre Sasaoka entrou em nossa história. Resolvemos trocar de obstetra, encontrar alguém que conhecesse melhor gestações de risco como essa. Procuramos diversos médicos para nos acompanhar na já avançada gestação...Tive algumas indicações, mas por algum motivo, dentre tantos nomes, resolvi marcar com o Dr. Alexandre. Qual não foi nossa feliz surpresa (mais uma) ao ouvir da boca dele que conhecia, e muito, casos de mielo e de cirurgia fetal. Ele nos passou tanta segurança que mais uma vez não pensamos duas vezes: continuaríamos nosso pré-natal com ele! Tudo ia muito bem, as dores da cirurgia já estavam bem menores, eu estava me sentindo ótima, tomava os remédios, fazia o repouso como indicado... até que, com 29 semanas, tive um sangramento e minha bolsa estourou. Sabíamos que por causa da cirurgia havia possibilidade de um parto prematuro, mas tão prematuro assim era muito difícil de acontecer, a probabilidade era baixíssima. Justo com a gente? Era meia noite quando liguei para o Dr. Alexandre, que me atendeu prontamente. Ele me acalmou e disse para irmos pro hospital, onde nos encontraria. Ficamos extremamente preocupados imaginando se a bebê estava bem, se o sangue era normal, se ela nasceria naquele dia, tão prematura, quanto tempo passaria na UTI... Chegando no hospital fiz diversos exames e, como não estava em trabalho de parto, a bebê não estava em sofrimento e eu não estava com infecção, o Dr. sugeriu que, em vez de fazer o parto naquele momento, eu ficasse internada com a bolsa rota o máximo que conseguisse. Afinal, como ele nos disse, mesmo com baixíssima quantidade de líquido amniótico, meu útero era a melhor incubadora que poderia existir pra Liz e cada dia ganho era menos tempo pra ela de UTI. Eu poderia ficar internada fazendo exames diários um dia, dois, um mês! Não sabíamos... E lá fomos nós confiar mais uma vez no trabalho dele e, sem pestanejar, decidimos acatar a sugestão. Conseguimos segurar e fazer o parto quase um mês depois, com 33 semanas e 3 dias. No período difícil da longa internação eu e minha família pudemos experimentar não só o amor, apoio e companheirismo uns dos outros e dos amigos, mas também o carinho, competência e cuidados ímpares de um médico que durante suas visitas diárias (manhãs, noites, domingos, feriados) nos acalmava, informava e pacientemente respondia a todas as questões que tínhamos. No parto, ansiedade boa e (certa) calma. Cesárea humanizada, luz baixa, as músicas que nos acompanharam na gestação tocando, meu amor ao meu lado... E o maior presente de todos: a Liz nasceu bem e pôde ser colocada toda melecadinha entre meus seios durante alguns segundos. Que momento! Nunca imaginei que eu, meu marido e a Liz fossemos ser acompanhados de forma tão cuidadosa e amorosa por um médico, que não me tratou apenas como paciente, me tratou como ser humano, como mulher, como mulher num momento tão especial e tão frágil. Privilégio puro e coração grato. Meu desejo é que todas as mulheres possam encontrar Doutores Alexandres por aí, que as respeitem e cuidem delas e de suas famílias nesse momento tão especial que é o nascimento de um sonho, uma vida, um novo amor!" Laura Miguel Marto

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