Samantha e Pedro, pais da Lara

Meu nome é Samantha, tenho 37 anos, sou mãe de primeira viagem de uma menininha linda e este é meu relato de parto. Completei 39 semanas de gestação uma sexta-feira. Trabalhei normalmente, apesar da expectativa para o parto. No sábado acordei e conversei com meu marido, Pedro, que queria caminhar bastante, para ver se estimulava o trabalho de parto. E fomos devagar caminhando pelo bairro, parando em padaria, no comércio local, e quando voltamos tínhamos andado por umas 4 horas (obs. Sempre pratiquei atividade física, então tive uma gravidez bem tranquila e ativa). À noite, ao ir dormir, como há alguns dias, eu pensava que talvez aquela fosse minha última noite de sono. Lá pelas 3h da madrugada acordei com o que achava ser uma dorzinha de barriga, fui ao banheiro e passou. Voltei para a cama e dormi. Isso se repetiu mais umas duas vezes, quando me dei conta que a dor era bem pontual, logo atrás do umbigo, diferente de quando queremos evacuar. Umas 5h da manhã avisei o marido que achava que estava começando a ter contrações e fui para a sala, pois minha cabeça estava doendo um pouco também. Comecei a cronometrar as contrações pelo aplicativo e estavam em intervalos irregulares. Escrevi pra Jéssica, obstetriz, umas 6h contando o que estava acontecendo e ela foi acompanhando a evolução pelos meus prints do aplicativo. Cerca de 06:15 fui ao banheiro e vi que meu tampão mucoso havia começado a sair. Avisei a Jéssica e saí para comprar o café da manhã e averiguar minha pressão na farmácia, pois a dor de cabeça me preocupava, mas estava tudo ótimo. Em casa fiquei me movimentando, o tempo foi passando e as contrações ritmaram. Ficaram de 5 em 5 minutos, mas sustentadas por 20s em média. Nesse momento, às 9h da manhã, a Jéssica disse que viria. Minha dor estava grau 5. Tomei alguns banhos em casa, não lembro quantos, mas me davam bastante conforto. Cerca de 10h a dor estava mais forte e irradiando para a virilha e logo a Jéssica chegou. Me fez um toque 10:20 e estava com 2cm de dilatação. Continuei caminhando e movimentando bastante o quadril, além de fazer uns agachamentos. Eu lido super bem com dor, mas quis ficar sozinha. Andava até a cozinha, até o quarto e lidava sozinha com dor, por escolha minha. Eram momentos só meus. A Jéssica acompanhando os batimentos cardíacos da bebe pelo sonar e as contrações foram ficando mais longas e menos espaçadas. Cerca de meio dia falei que minha dor estava 8 e muito baixa no quadril. A Jéssica fez outro toque e estava com uns 7cm de dilatação. As coisas já estavam no carro e bora todos pra maternidade. Lembro que quis levar uma mochila nas costas e a Jéssica não deixou e que no caminho ela e o Pedro riam que eu ficava preocupada com ele dirigindo rápido, falando pra tomar cuidado com os pedestres e cachorros. Chegamos ao hospital e fomos direto pra sala da enfermagem. A câmera que levamos pra filmar o parto ficou no carro, pois nem deu tempo de pensar em pegar. Fiquei alguns minutos no cardiotoco, com a Jéssica o tempo todo ao nosso lado dando apoio, e logo chegou Dr Carlos, que avaliou e viu que eu estava com dilatação total. Saímos pra sala de parto e na entrada do elevador encontrei Dr Bruno, anestesista, e minha mãe e minha sogra. Bruno foi maravilhoso desde aquele momento, pois em poucas palavras ditas, me mostrou o quão humano seria. Chegamos à sala de parto e lembro das estrelinhas no teto, do ambiente calmo e do clima tranquilo de toda a equipe. E me senti em casa. Já estava praticamente na hora do expulsivo e eu quis tomar analgesia para esse final. Lembro que eu estava com dor e não estava conseguindo ficar na posição ideal pro procedimento e Dr Bruno foi extremamente paciente e, junto com Dr Carlos, me tranquilizou, até que consegui. Me perguntaram onde gostaria de ficar e eu escolhi a banqueta de parto. Fomos até lá, meu marido sentou atrás de mim e foi perfeito em me ajudar, inclusive teve a calma de racionalizar na sequência das coisas, uma vez que estava já totalmente num estágio visceral. Lembro do Dr Carlos tranquilo sentado no sofá à minha frente, da Jéssica sentada no chão controlando os batimentos cardíacos da minha pequena pelo sonar, do Bruno sorrindo e do Pedro “doulando”. Parecia estar em outra dimensão e acho que é mais ou menos isso mesmo, pois nesse momento só escutava meu corpo, e não minha mente. Minha pequena foi descendo até o momento que a senti chegar à musculatura pélvica. Sabia que estava chegando o momento, pois era a mesma sensação que eu tinha quando fazia os exercícios de alongamento e o epi-no, na preparação pro parto. Lembro da Jéssica me mostrar a cabecinha dela pelo espelho e de eu colocar a mão e sentir a moleirinha dela. Até que senti ela passar pela musculatura, rodar e nascer (eram 14:18 quando ela nasceu). Achei sensacional que, apesar da analgesia, senti todo o processo de passagem dela. Veio direto para meus braços, mexendo bastante e cheia de saúde. Parecia que naquele momento o mundo éramos somente nós 3 – Pedro, eu e ela. Assim que o cordão parou pulsar, o Pedro cortou e logo em seguida voltamos para a cama e já comecei a amamentar. A placenta saiu e Dr Carlos me avaliou e viu que não havia laceração, sem necessidade de pontos. O Pedro, então levou a bebê para as vovós verem e só escutei a “festa” lá de dentro. Voltou e ficamos lá juntinhos umas 4 horas antes de voltar ao quarto, em um estado de conexão e amor indescritível. Foi assim nosso início dessa aventura chamada maternidade/paternidade, que tem se mostrado um desafio delicioso a cada dia, com um amor que cresce exponencialmente com o passar do tempo.

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